Eram pesados os copos
mas quando se encheram de vinho puro
quase que voaram da mesma forma
que os corpos voam com os espíritos
de Ibris Ben-Al-Yaman, Andaluzia, Séc. XI
27 de Dezembro de 2009
25 de Dezembro de 2009
Chegou o Messias
Quando tinha os meus 20 anos, ouvi compulsivamente uma versão do Messiah de G. F. Haendel, dirigida por Ton Koopman. Tratava-se de uma caixa de três LP se a memória não me atraiçoa. A coisa foi de tal maneira, que havia algumas faixas que já não tinham a qualidade exigível, pois repetia a sua audição. Hoje é dia de Natal e escuto/vejo uma versão dirigida por S. Cleobury e a Academy of Ancient Music. Não estou a gostar especialmente, mas o mais importante para mim é a sensação de que esta música faz muito mais pela vivência do Natal do que aquele ambiente de funeral de ontem, em S. Pedro, ou os discursos do cardeal patriarca.
12 de Dezembro de 2009
Inspirador
Sara Serpa é, para mim, uma realidade ainda demasiado desconhecida dos amantes da boa música e do Jazz em particular. É de aproveitar, pois vai estar em Castelo Branco, no dia 5 de Janeiro, em formação de quinteto, com este guitarrista, André Matos. Desfrutem.
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Tudo ao molho
Hoje vai acontecer algo que é, infelizmente, habitual. À noite, Concerto de Natal do Orfeão de Castelo Branco, na Sé, continuação do Festival pelo CERAS, no Centro Artístico Albicastrense e os Monólogos da Vagina, no Cine-Teatro Avenida. Tudo à mesma hora.
Daqui a uma semana, na Sé, concerto de Natal, pela ESART e, à mesma hora, concerto pela Banda da PSP, no Cine-Teatro Avenida.
Num meio no qual é tão difícil trazer as pessoas aos espectáculos, esta sobreposição de oferta, mesmo partindo do princípio que há público-alvo diferenciado, coloca ainda mais dificuldades.
Daqui a uma semana, na Sé, concerto de Natal, pela ESART e, à mesma hora, concerto pela Banda da PSP, no Cine-Teatro Avenida.
Num meio no qual é tão difícil trazer as pessoas aos espectáculos, esta sobreposição de oferta, mesmo partindo do princípio que há público-alvo diferenciado, coloca ainda mais dificuldades.
30 de Novembro de 2009
22 de Novembro de 2009
21 de Novembro de 2009
Onde estão os alunos, pais e professores do Conservatório?
Sei, por exemplo, que um professor foi à aula de Orquestra e chamou à atenção dos alunos para o facto de assistir a este concerto ser igualmente importante para a sua formação. Logo se sentiu a falta de empatia com a ideia. Tratava-se de alunos de cordas, um público claramente potencial para ouvir a Orquestra Nacional do Porto. Como se sabe, grande parte dos instrumentistas de uma orquestra com estas características, tocam violino, viola, violoncelo e contrabaixo e até tinhamos solistas exactamente em instrumentos de corda.
Uma das funções de um Conservatório é, também, contribuir para a criação e formação de públicos e é essa responsabilidade que terá de ser assumida de uma forma clara, algo que não está a acontecer.
15 de Novembro de 2009
4 semanas
Nas últimas duas semanas passei pelas inaugurações de três exposições em locais distintos da cidade e penso que valerá bem a pena reservar uma tarde para passar pelas três. Começo pela colectiva que se encontra na Sala da Nora, ela mesmo uma metáfora do que tem sido a "programação" deste espaço: convivem, lado a lado, obras maiores com peças quase indigentes. Esta exposição intitula-se "Ética, A Vida (N)A Morte" e está patente até 28 de Novembro. Inclui obras de Manuel Cargaleiro, Costa Camelo, José Simão, Cristina Ataíde, Indian Espadanal, Frade Correia, entre outros. Mais uma vez as limitações da Sala da Nora, no que diz respeito à iluminação e à flexibilidade do espaço, estão bem à vista de todos. Este é mais um dos desafios que tenho pela frente. Não vai ser fácil mudar muito nos próximos tempos pois encontrei exposições marcadas até final de Julho de 2010.
Manuela Justino cartografou chafarizes e pontos de água, em Castelo Branco e o resultado desse trabalho, também fotográfico, está patente no Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, até 27 de Dezembro. Sopro de Água não é apenas uma exposição, assume-se como um projecto de revitalização dos chafarizes da cidade, sugerindo a criação de roteiros, a recuperação dos espaços, a reparação das fontes e a criação de um circuito com actividades culturais associadas aos espaços, em alguns dos casos, abandonados.
Na Galeria 102-100, na Rua de S. Maria, foi inaugurada uma exposição notável de Rui Sanches. Esta galeria tem apostado numa excelente programação e só mesmo por falta de conhecimento se pode dizer que não há boas possibilidades de contactar com a arte contemporânea em Castelo Branco. Para quem não sabe onde fica, basta pensar no Largo de Camões (Arquivo Distrital, Casa do Arco, Celeiro dos Templários, antiga Biblioteca) e seguir em direcção à capela do Espírito Santo. A galeria encontra-se do lado esquerdo.
5 de Novembro de 2009
22 de Outubro de 2009
Ministra da Cultura
Já temos novo ministro da cultura, neste caso, nova ministra. Trata-se da pianista Gabriela Canavilhas, uma escolha que se me afigura excelente. Desejo-lhe toda a sorte e partilho a curiosidade de ela ter passado aqui por Castelo Branco, há uns bons 25 anos.
20 de Outubro de 2009
Uma boa parte da noite de hoje...
...à volta destas maravilhas. Giotto, Catedrais e outras preciosidades.
18 de Outubro de 2009
Últimos dias
Na sexta-feira ouvi a Orquestra da ESART, num programa Mozart e Mendelsohn. Muitas mudanças no grupo e um repertório arriscado acabaram por resultar num concerto muito diferente do que foi oferecido em Junho, no Primavera Musical. Infelizmente, para pior. Esta fórmula de 3/4 estágios ao longo do ano tem-se revelado pouco útil, pelo menos em termos da manutenção de um padrão qualitativo minimamente estável. Um dos motivos será a mobilidade de alunos, que entram e saiem pela natureza do seu percurso académico, mas não será o único nem o mais importante.
Acredito que se houver um trabalho regular orquestral, com um maestro permanente, os resultados melhorarão a olhos vistos. Outro ponto é o repertório que, por vezes, obriga a correr imensos riscos. Foi o caso.
Ontem, escutei pela primeira vez o grupo Atlanthida, no encerramento do festival Entrelaços. Penso que é um grupo ainda à procura de uma identidade. Por exemplo, a voz leva-nos constantemente para um território próximo do fado, mesmo quando a melodia, a rítmica e os arranjos instrumentais pedem outra abordagem. Para os apreciadores do género, deverá ser um grupo a seguir atentamente. Não quero deixar de dar, mais uma vez, os parabéns ao Musicalbi pelo excelente trabalho que vem realizando, com este festival.
A absoluta falta de tempo impossibilitaram-me de comentar uma exposição que se esteve patente na Casa do Arco, na Praça de Camões. Retrato (s) de um Quotidiano foi o resultado de um projecto desenvolvido, na CIJE pelo Movimento de Expressão Fotográfica. O conjunto emocionante de fotografias merecia uma visita e tenho pena de não ter conseguido aqui colocar uma referência mais cedo.
17 de Outubro de 2009
11 de Outubro de 2009
4 de Outubro de 2009
Fim-de-semana em Castelo Branco
No caso de Castelo Branco assisti a meia dúzia de produções desiguais. Dos trabalhos a roçar a indigência ao nível da narrativa, montagem e representação até às boas ideias, aqui e ali muito bem concretizadas. Seria interessante alimentar algum tipo de debate sobre o que se acabou de ver e ouvir e, se possível, procurar que pessoas envolvidas na criação dos filmes estivessem presentes para que se pudesse enriquecer a discussão.
Um projecto a seguir, sem qualquer dúvida.
Um projecto a seguir, sem qualquer dúvida.
Ontem fui assistir ao primeiro concerto do festival Entrelaços, organizado pelo Musicalbi. Pouca gente no Cine-Teatro Avenida (bilhetes a 5 euros serão caros?????? Não me parece...) para ouvir um excelente músico, Bilan seu nome. Uma música que bebe inspiração em múltiplas referências, desde a tradiçãp cabo-verdiana, até outras paragens da lusofonia, sobretudo o Brasil e Portugal. Poderia ter sido um concerto perto do excepcional. Mas não foi e sabem porquê? Mais uma vez, por causa do som amplificado. Desta feita, o sistema usado não foi o da sala de espectáculos. Quando o concerto se iniciou rapidamente se percebeu que se por um lado o volume era despropositadamente alto (uma intensidade sonora que feria os ouvidos), por outro, o som estava totalmente desequilibrado, com instrumentos que se destacavam e abafavam completamente o refinamento que, por exemplo, o percussionista parecia exibir. Digo parecia, porque realmente não se ouvia muito do que ele fazia. Algumas pessoas sairam da sala, ao que tudo indica, incomodadas pelo volume sonoro. Uma pena.
Penso que todo o cuidado deve ser colocado no espectáculo dos Dazkarieh (naturalmente com um som bem mais "espesso"), para que este problema não volte a massacrar o público.
1 de Outubro de 2009
Intermitências continuam



É indesmentível que é por uma boa causa. Tenho andado um pouco arredado destas andanças blogueiras, mas tudo irá voltar a uma certa normalidade. A causa é boa e irá ser tornada pública dentro de pouco tempo. Entretanto, fui à inauguração do Museu de Artes e Ofícios de Alcains e é sempre emocionante quando verificamos que um conjunto pequeno, mas habilitado, de pessoas se dedica a reconstruir um pouco da memória colectiva e lhe tenta dar uma forma. Notável, também, o número de pessoas que doaram peças, ferramentas, utensílios vitais, esses pedaços de vida, por onde mãos de homem e mulher passaram, cumprindo os rituais do dia-a-dia, no último século.Não é um espaço isento de problemas, mas quero acreditar que ao longo do tempo, as pequenas imprecisões, os detalhes ao nível da relação entre alguns elementos arquitectónicos e o lado expositivo, serão corrigidos e melhorados.
Para o cidadão, estejam atentos, numa próxima visita a Alcains e passem pelo Museu do Canteiro e por este, recentemente inaugurado. São 5 minutos a pé, de um ao outro, mas garanto-vos uma viagem no tempo de dezenas de anos.
Começa, no sábado, o festival do Musicalbi, um caminho cumprido já de 10 anos e que continua a apresentar um programa que deve merecer a resposta massiva dos que gostam de música tradicional. Parabéns Musicalbi e, já agora, também pessoalizando, para se ser justo, ao Carlos Salvado. Deixo uma nota que a organização me enviou e o programa:
Numa organização do grupo albicastrense MUSICALBI, o Entrelaços é sem dúvida um Festival de referência dentro da chamada World Music, não só na região como a nível nacional. Já na sua 10ª edição, o Festival prima à semelhança de anos transactos não pela quantidade de grupos, mas pela sua qualidade e diversidade de estilos e culturas.
PROGRAMA
Dia 3 de Outubro
BILAN (Cabo Verde)
A sua música pode ser enquadrada numa perspectiva mais cosmopolita e urbana da música cabo-verdiana.
Dia 10 de Outubro
DAZKARIEH
No ano que completam 10 anos, os Dazkarieh voltam a Portugal, e ao Festival Entrelaços, depois de terem passado pela Alemanha, Áustria, Espanha e Malásia numa série de concertos de apresentação do novo trabalho discográfico, “Hemisférios”.
Dia 17 de Outubro
ATLANTIHDA
Pela Palavra, uma abordagem autêntica à música portuguesa e ao cruzamento dessa com outras músicas do mundo. A sua formação inclui voz, duas guitarras, baixo acústico, violoncelo, acordeão e, pontualmente, outros instrumentos portugueses, como a viola braguesa e o adufe.
Nas fotos, a primeira é de Bilan, o protagonista do primeiro concerto do Entrelaços e, as seguintes, são de pormenores do Museu das Artes e Ofícios de Alcains.
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