“Encetado o trabalho mantivemos a ordem seguinte que não custa trazer a público, para que depois outros tenham um guia ao curarem semelhantes afecções”
Cura XVI – Centúria II
A construção de identidade em qualquer território depende muito da forma como os elementos simbólicos são apreendidos e trabalhados pela comunidade e da projecção dos mesmos para o exterior. João Rodrigues de Castelo Branco - Amato Lusitano, pela sua vida e obra , é uma das personalidades mais fascinantes que a cidade de Castelo Branco viu nascer. Como foi possível eu, que vivo em Castelo Branco há 27 anos, apenas recentemente me ter apercebido da dimensão e obra deste vulto da história da medicina?
É certo que a estátua de Martins Correia ocupa um espaço simbólico notável na malha urbana, mas tal não foi suficiente para que sentisse uma necessidade de aprofundar o meu conhecimento sobre este ilustre albicastrense. O que é preocupante nesta constatação é o facto de eu sempre ter procurado conhecer melhor a cidade, as suas personagens e histórias e, de uma forma tão natural, ter falhado o encontro com Amato.
Uma das razões para tal falha será a falta de representatividade simbólica no quotidiano e na vida cultural da cidade. É certo que, por exemplo, os Cadernos de Medicina da Beira Interior e os Encontros realizados anualmente são uma fonte importante de informação mas até que ponto o pulsar da cidade se confronta com a importância de João Rodrigues de Castelo Branco, a partir destes acontecimentos esporádicos? Pouco, muito pouco.
Estamos perante a necessidade de os agentes culturais, as Escolas, os artistas, a autarquia, os investigadores e especialistas trazerem para o domínio público, de uma forma permanente, a figura do médico albicastrense. As comemorações dos 500 anos do nascimento de Amato Lusitano e o incremento de actividade em torno dele devem ser apenas uma medida da intensidade que é necessário manter nos próximos anos, com persistência, qualidade e criatividade.
do cerro da Cardosa...
21 de Novembro de 2011
25 de Agosto de 2011
Tourada para a eternidade
4 de Agosto de 2011
Jornais e Cultura
Num tempo no qual se vaticina a morte dos jornais, qual o papel da Cultura nos mesmos? Esta é uma pergunta que tem muito de retórica mas que nos pode fazer pensar um pouco sobre a forma como percepcionamos esta era de comunicação pós internet.
Relativamente à primeira parte da pergunta, a asserção de que os jornais vão acabar, não tenho espaço, neste curto texto, para desenvolver a minha opinião, mas estou convencido que os jornais já acabaram. Pelo menos o jornal como ele era entendido há anos atrás, um farol da realidade, com hora marcada, junto ao pequeno-almoço ou café matinal, no qual um certo mundo se revelava, esse acabou definitivamente. Hoje, o acesso à informação é feito permanentemente através de múltiplas plataformas, com a internet a ganhar predominância de forma avassaladora.
Nos jornais, o espaço ocupado pelos temas culturais foi diminuindo de forma drástica, resumindo-se, em muitos dos títulos, a uma ou duas páginas, na maior parte dos casos confinado ao que se passa em Lisboa e, por vezes, no Porto. Mesmo os jornais chamados de referência foram perdendo a razão de ser desse epíteto, reduzindo a prática da crítica musical, de dança, teatral e até mesmo a de cinema. Muitas vezes, são as efemérides ou a morte de um artista que fazem a agenda e que promovem alguma visibilidade da Cultura, o que é revelador da fragilidade desta área nas prioridades dos órgãos de comunicação social.
Acredito que a internet é uma oportunidade para inverter esta tendência. Se o jornal em papel tem um problema de espaço físico para a artigos de fundo ou entrevistas de maior dimensão, o suporte virtual não sofre desse problema e com a possibilidade de acrescentar clipes de áudio, vídeo, animações e, muito importante, de promover o comentário do leitor. A verdade é que alguns jornais já estão a percorrer este caminho. Para dar um exemplo básico mas ilustrativo, um crítico acompanha o Festival de Teatro de Avignon através de textos de qualidade e com dimensão importante, publicados no suporte em papel e, simultaneamente, mantém um blogue na página do título, na internet.
O jornal Gazeta do Interior comemora mais um ano de existência e aproveito para lhe endereçar duplos parabéns. Pelo aniversário mas, também, pela crescente visibilidade que acontecimentos culturais têm merecido na sua edição semanal. O jornal local é, muitas vezes, a única forma de actividades culturais promovidas na região, terem eco mais alargado e de ficarem registadas para além da memória dos envolvidos. É, também, um gerador de vínculos e de identidade tornando-se, através do espaço de crítica e de comentário à realidade, um objecto cultural de extrema importância para se ler e interpretar, em contexto, a região. Nesse sentido, gostaria de ver, muito mais, nos jornais locais e regionais, o espaço de crítica e de sã discussão à volta da Cultura. Seria, também, um sinal de enorme maturidade e de progresso.
[texto publicado no jornal Gazeta do Interior]
Relativamente à primeira parte da pergunta, a asserção de que os jornais vão acabar, não tenho espaço, neste curto texto, para desenvolver a minha opinião, mas estou convencido que os jornais já acabaram. Pelo menos o jornal como ele era entendido há anos atrás, um farol da realidade, com hora marcada, junto ao pequeno-almoço ou café matinal, no qual um certo mundo se revelava, esse acabou definitivamente. Hoje, o acesso à informação é feito permanentemente através de múltiplas plataformas, com a internet a ganhar predominância de forma avassaladora.
Nos jornais, o espaço ocupado pelos temas culturais foi diminuindo de forma drástica, resumindo-se, em muitos dos títulos, a uma ou duas páginas, na maior parte dos casos confinado ao que se passa em Lisboa e, por vezes, no Porto. Mesmo os jornais chamados de referência foram perdendo a razão de ser desse epíteto, reduzindo a prática da crítica musical, de dança, teatral e até mesmo a de cinema. Muitas vezes, são as efemérides ou a morte de um artista que fazem a agenda e que promovem alguma visibilidade da Cultura, o que é revelador da fragilidade desta área nas prioridades dos órgãos de comunicação social.
Acredito que a internet é uma oportunidade para inverter esta tendência. Se o jornal em papel tem um problema de espaço físico para a artigos de fundo ou entrevistas de maior dimensão, o suporte virtual não sofre desse problema e com a possibilidade de acrescentar clipes de áudio, vídeo, animações e, muito importante, de promover o comentário do leitor. A verdade é que alguns jornais já estão a percorrer este caminho. Para dar um exemplo básico mas ilustrativo, um crítico acompanha o Festival de Teatro de Avignon através de textos de qualidade e com dimensão importante, publicados no suporte em papel e, simultaneamente, mantém um blogue na página do título, na internet.
O jornal Gazeta do Interior comemora mais um ano de existência e aproveito para lhe endereçar duplos parabéns. Pelo aniversário mas, também, pela crescente visibilidade que acontecimentos culturais têm merecido na sua edição semanal. O jornal local é, muitas vezes, a única forma de actividades culturais promovidas na região, terem eco mais alargado e de ficarem registadas para além da memória dos envolvidos. É, também, um gerador de vínculos e de identidade tornando-se, através do espaço de crítica e de comentário à realidade, um objecto cultural de extrema importância para se ler e interpretar, em contexto, a região. Nesse sentido, gostaria de ver, muito mais, nos jornais locais e regionais, o espaço de crítica e de sã discussão à volta da Cultura. Seria, também, um sinal de enorme maturidade e de progresso.
[texto publicado no jornal Gazeta do Interior]
26 de Julho de 2011
15 de Julho de 2011
8 de Julho de 2011
18 de Setembro de 2010
Don't Forget, com Metheny e Jim Hall?
Pergunto aos conhecedores: serão realmente o Jim Hall e o Pat Metheny que tocam nesta versão do Don't Forget?
12 de Setembro de 2010
Aurora de F. W. Murnau
Uma obra realizada em 1927 é de tal forma actual e refrescante que me faz lembrar as palavras de Italo Calvino, no "Porquê Ler os Clássicos": Um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer.
O Aurora é isso mesmo.
O Aurora é isso mesmo.
6 de Agosto de 2010
22 de Julho de 2010
A23
Há uns anos atrás, quando convidava músicos internacionais para participar no Primavera Musical, acontecia muitas vezes eles ficarem um pouco atrapalhados com o tempo de viagem anunciado, a partir dos aeroportos de Lisboa ou Porto. Quando, finalmente, a região ficou dotada de uma ligação decente à A1, tudo se tornou mais simples, pois as duas horas anunciadas (Lisboa-Castelo Branco) estão muito perto do normal para deslocações de um aeroporto até ao centro de qualquer grande cidade.Foram décadas à espera de uma ligação ao aeroporto mais próximo, na capital da república. Foram décadas de espera para facilitar o escoamento e a recepção de produtos. Foram, ainda, décadas a dificultar a chegada de turistas à Beira Interior.
Pois, agora que a A23 se transformou num elemento essencial para a mobilidade (o investimento na ferrovia não foi o suficiente e embora eu a preferisse, está longe de a tornar competitiva), estamos à beira de ter de pagar portagens nesta via (e em outras SCUTs), cujas alternativas nos obrigarão a fazer viagens de cerca do dobro da duração da actual.
Será que não há vergonha?
Será que não há vergonha?
6 de Julho de 2010
Montalvão
25 de Maio de 2010
Ausência Permanente
De que me serve ter este blogue, se não consigo arranjar um bocadinho para o ir actualizando?
4 de Abril de 2010
Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz
Há uns 14, 15 anos, o Quarteto Borodine (com Shebalin, Berlinski, Abramenkov e Kopelman), tocaram esta obra de Haydn, no Primavera Musical. Uma preciosa memória. Boa Páscoa!
26 de Março de 2010
12 de Março de 2010
Roteiro Cultural
Uma cidade como Castelo Branco para poder posicionar-se como um pólo atractivo precisa de uma oferta cultural rica, diversificada e constante. Há uns dias, ao sair da inauguração de uma exposição consagrada à Arte e Género, senti mais uma vez que é possível este despertar. Depois de olhar atentamente um conjunto notável de obras de autores tão diversos como Maria Lino (um inebriante convite à imaginação), de Valentina Zorrilla (contínua metamorfose feminina) ou da tocante chamada à realidade de Ana Leonor Rodrigues, entre outras, saí a pensar.
Saí a pensar que a cidade oferece agora mesmo uma conjunto importante de mostras que justificam uma visita dos residentes e dos forasteiros.
No Museu de Francisco Tavares Proença Júnior (esse mesmo que comemora este ano, o seu centenário), uma exposição de Nadir Afonso que é merecedora só por si uma viagem a Castelo Branco. No Museu Cargaleiro e sobretudo para quem ainda não por lá passou, uma exposição permanente que parece nos convidar para a revisitação. Ali perto, na Galeria 102 – 100, obras de Hugo Canoilas, Bruno Cidra, Joana Escoval e Ana Manso mostram que este espaço é uma aposta privada de características únicas, a merecer uma passagem regular (em Abril, inaugura uma nova, com obra gráfica de Paula Rego). Finalmente na Sala da Nora do Cine-Teatro Avenida, a galeria municipal, uma colectiva intitulada Náufragos – Ensaios sobre o Fracasso, que se tem revelado um enorme sucesso em termos de apreciação.
Se a vitalidade continuar a ser como a que testemunho nesta nota, só falta mesmo o Centro de Cultura Contemporânea. Venha ele!
Saí a pensar que a cidade oferece agora mesmo uma conjunto importante de mostras que justificam uma visita dos residentes e dos forasteiros.
No Museu de Francisco Tavares Proença Júnior (esse mesmo que comemora este ano, o seu centenário), uma exposição de Nadir Afonso que é merecedora só por si uma viagem a Castelo Branco. No Museu Cargaleiro e sobretudo para quem ainda não por lá passou, uma exposição permanente que parece nos convidar para a revisitação. Ali perto, na Galeria 102 – 100, obras de Hugo Canoilas, Bruno Cidra, Joana Escoval e Ana Manso mostram que este espaço é uma aposta privada de características únicas, a merecer uma passagem regular (em Abril, inaugura uma nova, com obra gráfica de Paula Rego). Finalmente na Sala da Nora do Cine-Teatro Avenida, a galeria municipal, uma colectiva intitulada Náufragos – Ensaios sobre o Fracasso, que se tem revelado um enorme sucesso em termos de apreciação.
Se a vitalidade continuar a ser como a que testemunho nesta nota, só falta mesmo o Centro de Cultura Contemporânea. Venha ele!
Subscrever:
Mensagens (Atom)